OS SALMOS, NOSSA ORAÇÃO

P. Martin Neyt, OSB

A Aliança Inter-Monástica quer expressar sua grande alegria pela publicação do Boletim da AIM em língua portuguesa. Somos particularmente gratos ao Arquiabade Dom Emanuel d’Able do Amaral, OSB, Presidente da Congregação Brasileira, a Dom Roberto Lopes, OSB, Abade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e a Madre Paula Iglesias, OSB, Abadessa, e às monjas do Mosteiro da Santa Cruz, de Juiz de Fora, por este compromisso que aceitaram assumir com entusiasmo. Seu representante na reunião internacional do Boletim da AIM, em Paris, e que se responsabilizará pela coordenação geral das traduções e publicação dos números, é Dom Matias Fonseca de Medeiros, OSB, monge do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro que, mesmo com suas múltiplas responsabilidades ao serviço da Liturgia, aceitou de bom grado levar adiante essa tarefa. Que todos eles encontrem aqui os sinceros agradecimentos da AIM a serviço dos mosteiros no mundo inteiro. Com efeito, o desafio dessa publicação é duplo. Por um lado, repartir com todos os que amam os mosteiros a descoberta da vida e da espiritualidade dos monges que seguem a Regra de São Bento; por outro lado, levar aos outros países e continentes a experiência própria do monaquismo brasileiro. E não há melhor tema para inaugurar este primeiro número do Boletim da AIM em português do que tratar da oração dos salmos.

A qual Deus oramos nos salmos? Que fisionomias de Deus se revelam nessas orações repetidas de geração em geração? Para nós cristãos, esses textos sagrados de súplica e de louvor, de trevas e de luzes, encontram seu sentido mais pleno no mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Algumas reflexões fundamentais nos são oferecidas pela Abadessa de Mariendonk (Alemanha), sublinhando o lado profético e existencial dos salmos. O Abade de Ramsgate (Inglaterra) vai se abeberar na tradição monástica primitiva e no Prólogo da Regra de São Banto. Mas, como abordar os salmos imprecatórios? É a Abadessa de Chester que tratará desse assunto complexo. E Dom Philippe Rouillard, OSB, irá situar o saltério litúrgico na história e no hoje de nossos mosteiros.

A essas considerações fundamentais somam-se as experiências de vida de três comunidades na Ásia, na África e na América Latina. Primeiramente, a experiência das monjas de Gedono, na Indonésia; depois, a experiência da Abadia de Keur-Moussa, no Senegal: P. Jean-Marie Vianney, OSB, chama a atenção para a importância do ritmo e da inculturação na salmodia (balafon, tam-tam, tambor d’água...); e finalmente, a experiência dos monges de Las Condes, em Santiago do Chile, que comenta a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Se a oração dos salmos nos penetra e nos ultrapassa, é porque ela integra o homem perseguido, humilhado e morrendo em Jesus Cristo; e ainda, por sua dimensão de louvor e de agradecimento – mais da metade dos salmos – ela é um convite à liberdade, a sair de si mesmo para rezar e reconhecer que fomos salmos nAquele mesmo que reza em nós[1].

A lembrança das duas primeiras secretárias que trabalharam na AIM continua gravada em nossos corações. Ambas faleceram em junho de 2007. Irmã Pia Valeri, OSB, que sucedera a Madre Méryem Esquerré, OSB, dedicou dezoito anos de sua vida a serviço da AIM, em Vanves, de 1967 a 1985. Ambas viveram por dentro essa nova epopéia da história monástica do século XX com humildade e entusiasmo. Conservemos nossas duas Irmãs em nosso coração e em nossa oração de intercessão e louvor, como quando rezamos os salmos.

P. Martin Neyt, OSB, é monge do Mosteiro de Saint-André de Clerlande (Bélgica) e Presidente da AIM.

Traduzido do francês por Dom Matias Fonseca de Medeiros, OSB.

[1] Sobre esses temas, ver o belo livro de Paul BEAUCHAMP, Psaumes nuit et jour, Seuil, Paris 1977.

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