“Nasoma Y’Ombembwa” (Rainha da Paz)

Angola1A nossa comunidade, que tem como Padroeira a Virgem S.M. sob o título de “Nasoma Y’Ombembwa” (Rainha da Paz), começou a sua existência em 1978, mesmo a seguir o começo do conflito armado entre as vária facções que se disputavam o governo do País, depois de ter constrangidos os portugueses a fugir para a sua terra.

Nos anos seguintes a situação de guerra aumentou em violência; algumas facções se retiraram e ficaram os dois beligerantes mais furiosos: o MPLA e a UNITA.

As dificuldades eram enormes: falta de alimentos e de trabalho, perigos nos caminhos, perigos em deslocar-se também a pé e até nas próprias casas a causa dos bombardeios. Tudo isto nos levou à uma consciência comunitária, redobrando os esforços para uma maior unidade entre nós, partilhando as dificuldades e decidindo juntas como prosseguir o caminho, usando de caridade umas com as outras.

Tivemos a oportunidade de acolher numerosos refugiados e suas famílias no interior da casa onde morávamos, os quais procuravam uma protecção para sobreviver. Tudo se fez com o conselho (segundo a R.B.) e o parecer de todas.

Angola2Assim devemos reconhecer que, apesar da guerra ser um grande mal para todos, nos proporcionou a ocasião de aprofundar um dos elemento essenciais na nossa Regra para a vida comunitária: a importância da colaboração, da fraternidade e da comunhão, ou seja decidir tudo juntas , escutando todos os membros porque o Espírito pode revelar o que é melhor também ao mais pequeno (Cap. 3). Isto não quer dizer que superamos todas as dificuldades da relação, mas que aprendemos a relativizar certas ideias pessoais e discernir o que é mais urgente e útil para todos, e compreendemos a necessidade de uma conversão diária ao valor do acolhimento mútuo, dos hospedes e dos pobres que sempre abundam na nossa terra.

Para actualizar a conversatio monástica:

- Temos a revisão de vida como instrumento válido para estimular-nos mutuamente.

- Nas ocasiões importantes, ou tempos fortes, realizamos encontros geracionais, e isto nos dá uma visão real da comunidade.

- Se favorecem colóquios entre as irmãs, sempre em função de melhorar as nossas relações fraternas na caridade.

Angola4Também há sempre alguma que socorre uma irmã que precise de qualquer tipo de ajuda, assim que podemos reconhecer, apesar de tudo, que na nossa comunidade existe uma verdadeira caridade. Segundo o desejo de S. Bento, há muita atenção para com as doentes e para as mais velhas, coisa que é também um valor da nossa cultura angolana. Mais de uma irmã afirma que viver em comunidade é um bem precioso.

Nesses 33 anos praticamos a cultura do apoio as famílias mais pobres das nossas irmãs e também de todos aqueles que necessitem de ajuda.