La Bouenza

O MOSTEIRO DE LA BOUENZA

F. Bernard de Longevialle, osb, Abadia de la Pierre Qui Vire, França
(Novembro de 2009)

 

Faz quase um ano que a vida monástica recomeçou em La Bouenza, desde que, entre 1998 e 2008, o Mosteiro precisou ser abandonado devido às guerras ocorridas no Congo e suas conseqüências.

bouenza1A data de 8 de dezembro de 2008, festa da Imaculada Conceição, foi fixada para a re-fundação por ser a festa da Padroeira do Mosteiro e o cinqüentenário de sua primeira fundação em 1958. Além de Dom Bruno Marin, Abade Presidente da Congregação de Subiaco, sob cuja autoridade procedeu-se a esta re-fundação, e de Dom Luc Cornuau, Abade de La Pierre-qui-Vire, estiveram presentes os Abades de Koubri e de Dzogbegan. A Conferência dos Bispos do Congo, quase toda, quis por seu comparecimento realçar a importância que estavam dando àquele evento. Dom Louis Portella Mbuyu, Bispo de Kinkala e atual Presidente da Conferência episcopal, sempre muito próximo de La Bouenza ao longo de sua tormentosa história, presidiu a celebração.

Esta re-fundação foi confiada a cinco Irmãos, quatro «antigos» de La Bouenza, e um postulante. Trata-se, portanto, de dar novo impulso à vida monástica naqueles lugares, enormemente devastados e saqueados durante a guerra e, em seguida, praticamente abandonados durante dez anos; recuperar progressivamente os locais; pôr em andamento, tanto quanto possível, as atividades econômicas a fim de permitir à comunidade subsistir por seus próprios meios; mas, acima de tudo, viver a vida fraterna e celebrar dia e noite a Liturgia das Horas.

Seria impossível pensar nesta re-fundação sem uma ligação com seu passado. O Mosteiro de La Bouenza foi fundado em novembro de 1958 por três monges da Abadia de La Pierre-qui-Vire, a pedido de Dom Jean-Baptiste Fauret, à época Bispo de Pointe Noire. De imediato, além de sua vocação especificamente monástica, a comunidade assumiu os encargos pastorais da população de Bouansa, para a qual construiu sua atual igreja paroquial. No plano da saúde, muito ajudou as populações dos arredores que viviam praticamente sem assistência médica. P. Dominique, um dos três fundadores, conhecido no país como «Ya Dom», fundou logo no início um centro de paliativos, que se tornou progressivamente um dispensário reconhecido pelo Estado, com enfermeiros locais chefiados por um médico, dos quais o primeiro foi o P. Damien, monge de La Pierre-qui-Vire.

bouenza2Para fornecer a baixo custo os medicamentos necessários à população e ao dispensário, P. Dominique criou um pequeno laboratório farmacêutico que teve um sucesso enorme. Desenvolvido e melhorado com o passar dos anos por cooperadores franceses farmaceutas, recrutados pela «Délégation Catholique pour la Coopération» (Delegação Católica para a Cooperação), que ali cumpriam o tempo de seu serviço nacional, o dispensário foi sendo gradativamente reconhecido e autorizado pela «Direction Nationale de la Santé» (Diretoria Nacional de Saúde) do Congo. Nos anos de perturbação política era o único laboratório farmacêutico do país, fornecendo cerca de quarenta produtos básicos, tais como xaropes, loções e pomadas, vendidos pelo país inteiro, principalmente nas paróquias e nas comunidades religiosas a preços bem mais inferiores do que os medicamentos possíveis de serem encontrados em laboratórios franceses ou farmácias do país.

Os monges fabricavam e acondicionavam cerca de mil produtos por dia. Era sua principal atividade econômica, com uma farmácia e uma granja com 3.000 galinhas poedeiras.

Progressivamente, para se concentrar mais em sua vocação propriamente monástica, a comunidade foi se liberando dos encargos da paróquia e do dispensário. Entretanto, manteve até o fim o laboratório e a farmácia, cuja gestão era compatível com as necessidades monásticas.

Hoje somos os herdeiros dessa história. Como um dos galpões da antiga granja ficou mais ou menos em bom estado, pensamos que o mais simples seria, num primeiro momento, recomeçar uma pequena criação. Em maio último, compramos 300 pintainhos. Em meados de outubro, as galinhas começaram a pôr. Contudo, estamos conscientes que para desenvolver esta atividade, torná-la rentável e, mais ainda, preveni-la com relação às idas e vindas do fornecimento de ração e a dificuldade de comunicações, precisamos nos tornar autônomos e produzir na medida do possível milho e soja e fabricar nossa ração. Já estamos trabalhando nesse sentido.

bouenza3Estamos também pensando em relançar a grande atividade do laboratório. A população está pedindo. Com a preciosa ajuda de La Pierre-qui-Vire estamos tentando contatar alguns profissionais do ramo, capazes de nos aconselhar nas providências a tomar e na aquisição do material necessário para a retomada, ao menos em parte, das atividades do antigo laboratório. Num primeiro momento, gostaríamos de nos limitar à produção de alguns xaropes que fizeram a notoriedade do laboratório, tais como o ngolo menga, o kosso-kosso, o missiété plus, e alguns outros.

A pequena comunidade inicial foi reforçada: aos quatro monges e ao postulante vieram juntar-se dois irmãos que começaram o postulantado no Mosteiro de Dzogbegan, aqui chegados no final de julho. Os três postulantes iniciaram seu noviciado no dia 14 de setembro.

No decurso deste ano, com a ajuda de Deus e a oração de muitos, foi dado um passo no recomeço da vida monástica. Restam ainda muitos outros passos a serem dados. Nós os confiamos a todos aqueles que trazem no coração o projeto de La Bouenza.

 

Traduzido do francês por Maria Luísa Laranjeiro de Souza.